A Sessão Pública de Apresentação de Resultados do RDIP – Roteiro para a Descarbonização da Indústria dos Plásticos decorreu ontem, num ambiente marcado pela partilha de conhecimento, visão estratégica e um compromisso firme com a transformação sustentável do setor.
Promovido pela APIP – Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos, com o apoio da EY, no âmbito do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, o RDIP afirma-se como um instrumento estruturante para orientar a indústria rumo à neutralidade carbónica.
O evento reuniu diversos especialistas, entidades públicas, empresas e representantes do meio académico, que contribuíram para um debate rico e multidisciplinar sobre o futuro climático do setor.
Síntese dos Resultados do RDIP
A apresentação do RDIP permitiu divulgar as principais conclusões deste trabalho pioneiro, que estabelece um caminho claro para a descarbonização da Indústria dos Plásticos até 2050.
Caracterização do Setor e Diagnóstico Inicial
- A indústria é composta por mais de 1.000 empresas, responsáveis por 7 mil milhões de euros de volume de negócios e mais de 27 mil postos de trabalho.
- As emissões diretas e indiretas (Âmbitos 1 e 2) reduziram 29% desde 1990, apesar do crescimento económico do setor no mesmo período.
- O setor revela uma elevada propensão para a inovação, sobretudo em iniciativas com benefícios ambientais, como eficiência energética e substituição de materiais.
Trajetórias de Descarbonização até 2050
Foram desenvolvidos dois cenários principais:
1. Cenário Business as Usual (BAU)
Prevê um abrandamento do crescimento das emissões, mas não permite atingir a neutralidade carbónica, mantendo emissões significativas em 2050.
2. Cenário de Neutralidade Carbónica
Define a trajetória para atingir reduções de 93% a 100% nas emissões nos subsetores analisados (CAE 2016 e CAE 222), recorrendo a múltiplos vetores de descarbonização como:
- Eficiência energética
- Eletrificação
- Combustíveis renováveis
- Tecnologias de captura e armazenamento de carbono
- Reciclagem mecânica e química
- Reutilização e ecodesign
- Utilização de feedstocks alternativos e circulares
Vetores Estratégicos de Transformação
A análise identifica dois grandes eixos estratégicos para a transição:
1. Descarbonização da Produção
Inclui melhorias de eficiência, modernização tecnológica, eletrificação dos processos e incorporação de energia renovável.
A eficiência energética destaca-se como vetor “rápido e custo-eficaz”, valorizado por cerca de 100% das empresas inquiridas.
2. Promoção da Circularidade
Baseia-se em:
- Reciclagem avançada (mecânica e química)
- Reutilização
- Ecodesign
- Substituição por plásticos circulares e bio-based
Este eixo ganha relevância sobretudo a partir de 2030, acompanhando a maturação industrial das tecnologias.
Fatores Críticos e Recomendações
O sucesso da implementação das medidas dependerá de fatores financeiros, regulamentares, tecnológicos e de mercado. Entre as recomendações destacam-se:
- Integração da ação climática na estratégia das empresas
- Cálculo e reporte anual das emissões
- Estabelecimento de metas científicas
- Criação de roteiros corporativos de descarbonização
- Candidatura a incentivos financeiros
- Promoção de simbioses industriais
- Programas de capacitação e qualificação profissional, numa altura em que as green skills têm uma procura crescente no mercado europeu
A APIP agradece à EY, ao Advisory Board, aos moderadores, oradores e participantes pelo contributo valioso para o desenvolvimento e validação deste Roteiro.
O RDIP não encerra um ciclo: inicia um novo. Trata-se de um instrumento vivo que continuará a orientar decisões, mobilizar empresas e impulsionar a transição sustentável da Indústria dos Plásticos rumo a 2050.





























































































































